HomeUncategorizedMais 169 moçambicanos regressam ao País após ataques xenófobos na África do...

Mais 169 moçambicanos regressam ao País após ataques xenófobos na África do Sul

Um novo grupo de 169 cidadãos moçambicanos, incluindo 16 crianças, regressou a Moçambique através do posto fronteiriço de Ressano Garcia, no distrito de Moamba. As vítimas haviam sido acolhidas provisoriamente em centros comunitários temporários nas localidades de Mossel Bay e Hermanus, na província sul-africana do Cabo Ocidental, após fugirem de violentos ataques xenófobos levados a cabo por comunidades locais.

Com a chegada do grupo de 169 moçambicanos, transportado em três autocarros governamentais, o número total de moçambicanos repatriados nesta última vaga de intolerância já ultrapassa as 700 pessoas.

O sentimento à chegada a solo nacional é uma mistura de alívio por sobreviver e desespero pelo futuro. Em declarações à Rádio Moçambique, cidadãs repatriadas, como Diolinda Majante e Yusna Rafael, partilharam relatos dramáticos sobre a violência vivida.

“Entraram nas nossas casas à noite, partiram tudo e disseram que tínhamos de sair dali porque estávamos a roubar o emprego deles”, relatou uma das sobreviventes, visivelmente abalada.

“Deixámos para trás as nossas roupas, os poucos electrodomésticos que compramos e todo o dinheiro do nosso trabalho. Saímos apenas com a roupa do corpo”, disse a outra repatriada.

A crise migratória forçou uma resposta rápida das lideranças dos dois países. Horas antes do encerramento desta operação, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou publicamente um pacote de medidas de emergência focado no combate directo aos grupos envolvidos nos ataques, no endurecimento da fiscalização migratória e no reforço do controlo fronteiriço.

Em Maputo, o Governo moçambicano — através do Gabinete de Informação (Gabinfo) e do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) — reiterou que a prioridade imediata é salvaguardar a vida humana. 

As autoridades organizaram equipas multissectoriais em Ressano Garcia para realizar a triagem sanitária, registo civil e a distribuição de kits alimentares de emergência, concebidos para apoiar as famílias durante os primeiros 10 dias após o regresso.

Apesar da assistência logística para encaminhar os repatriados para as suas províncias de origem, analistas e organizações da sociedade civil alertam para a fragilidade deste mecanismo. Especialistas ouvidos pela DW Português lembram que o repatriamento funciona apenas como uma medida paliativa.

A falta de emprego formal, as assimetrias regionais e a busca de subsistência continuam a empurrar milhares de moçambicanos para o mercado informal sul-africano.

Sem a criação de políticas públicas robustas de reinserção económica e geração de renda local em Moçambique, o risco de uma nova vaga de migração irregular e de um eventual regresso ao território sul-africano permanece elevado.

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Most Popular

Recent Comments